quinta-feira, 22 de julho de 2010

Atalhos, retalhos.  

Não era fácil explicar. Mais difícil ainda era ser entendida. Por si mesma. A rota da razão e a linha do coração. Por instinto, sempre soube que era certo correr dali. Fugir. O máximo que seu ritmo pudesse alcançar. Mas era justamente isso que lhe faltava. Ritmo. Percepção. Consciência.
Na existência de dois caminhos, ir entre eles era confrontar a insanidade demais... Sanidade. Razão. Pulsação. Da pulsação restara o apelo desesperado pelo nada. Não havia mais escolhas e nem a dor queria mais acompanhá-la. Eram pedaços desprendidos e reunidos como restos o bastante pra o nada habitar ali. Somente o nada.
Por um momento, parou e observou. Olhou para trás, para os lados... Tinha chegado a hora, sabia.
Ouviu um badalar, um tanto amargo; não era ruim, tampouco bom. Era somente um som. Morno, pesado e claro. Servindo para avisá-la: era o fim da espera. Algo que a impedia de ficar parada e impulsionava a garota a marchar. Dessa vez, ela iria à frente.
“Eu tinha que ficar feliz. E quando você quer, você fica. Comecei a ficar.”     – C.F.Abreu

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O brilho oculto .

O verde da árvore em contraste com o azul do céu. O vento que batia em seu rosto e balançava seus cabelos. A beleza de nenhuma nuvem encobrindo o sol em outro canto. As folhas caindo no quintal e sendo arrastadas pela brisa suave. A harmonia do canto dos pássaros. A doçura que sentia emanar de dentro de si e se misturar à natureza naquele meio de tarde de domingo...
Apesar de toda a angústia e de todo o sofrimento que as coisas lhe causaram, ela sentiu descansada. E em paz. Encheu-se de esperança, recolocou o brilho nos olhos e resolveu esperar. Somente esperar.

sábado, 24 de abril de 2010

To fit

Bella sabia que ela continuaria a ser sua amiga por muito tempo, ainda. Existia tanto amor na reserva...
Existem coisas que acontecem sem explicação, mesmo.

Como nenhuma precisava mais conquistar a outra todos os dias, era tudo bem mais natural, agora. Alguns desentendimentos, às vezes, alguns afastamentos, mas era difícil, muito difícil ficar por muito tempo sem os colos,  abraços, beliscões, mordidas e olhares de Sophia.
E Bella sentia que a amizade se renovava, se reestabelecia depois que uma nuvem passava. agora é só manter a confiança que depositaram uma na outra pra quando a santa chuva resolver passar por vocês. é só fecharem os olhos quando for preciso. é só saber enxergar e compreender os defeitos da outra. É só entender que as coisas mudam e que se a amizade for verdadeira ela vai modificar pra se encaixar e preencher o mesmo espaço, novamente.

domingo, 4 de abril de 2010

Short story of the time...

Há quem diga que o tempo cure tudo. Há quem diga que o tempo não cure nada.
Pode ser que tanto um quanto o outro sejam verdade...
Acredito somente no fato de que o tempo não cura tudo – ou não cure nada - , mas tira o foco do momento, do centro das atenções.
Dói, custa a passar, mas tira.

Foto: Créditos à Thainá Carline.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Lie to me.

Por favor, minta pra mim. Só hoje. Eu sei que soa estranho, mas minta pra mim. MINTA. Eu preciso que você faça isso. Oh, diga que vai dar tudo certo, por favor. Eu sei. EU SEI que talvez isso não seja verdade. Mas hoje, só por hoje, diga isso! Invente argumentos aí. Revire sua memória. Procure a sua melhor pessoa mentirosa e tente me convencer que vai ficar tudo bem. Isso é sério. Eu tenho um coração nas mãos, eu tenho uma incerteza maior que eu aqui dentro. Como cabe? Não cabe! Ela escapa. Escapa especialmente pelos olhos e escorre pela minha face. Mas isso não acontece sempre. Às vezes ela fica presa aqui. Deixa-me quase que explodindo. Eu tento fazê-la sair, mas ela não obedece à minha razão. Não obedece! Ah, incerteza, saia daí. Não me deixe prestes a estourar. Eu estou prestes a quebrar. Dá pra notar? Como podem caber tantas duvidas, pensamentos e medos em um ser só? Um ser tão pequeno e tão frágil diante disso... Não dá pra correr. Não é possível fugir disso! Se ousar ir pra um lado, posso ser pega. Se for pro outro, posso arruinar tudo. Às vezes eu quero adiantar os passos e ver no que dá, mas eu tenha essa incerteza enorme que me fere e me deixa de pés fincados no chão. Parada aqui. Parada. É como se fosse dado um ‘stop’ automático em plena corrida. Olha quantas pessoas correndo e te ultrapassando! Olha só!... Mas eu, simplesmente não posso avançar a passos rápidos e longos. Eu tenho que me contentar com os pequenos e lentos, e por vezes ainda incertos. Aonde eu quero chegar assim? O que vai ser daqui pra frente?... Pequenas pistas surgem como dicas de futuros. Será assim? Oh, não dá mais pra ser assim! Não dá. Eu preciso fugir daqui. Mas como? Por favor, por favor. Minta pra mim. E hoje, só hoje, me diga que vai ficar tudo bem. Eu lhe entenderei se não der. Mas só hoje fale isso. E minta. Minta pra mim.


Lembrei desse texto hoje - que havia feito à umas semanas atrás - por causa de Rodrigo, que perguntou pelo atualização do blog... Tá ai, Tiê

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ao meu melhor amigo.

Oi. Espero que você saiba que eu escrevi isso pra você. Eu sinto muito a sua falta, e eu sei que vai continuar a ser assim. Ninguém pode mudar o passado, mas se eu pudesse mudaria algumas coisas. Eu poderia esconder o que quer que fosse, se isso pudesse preservar nossa amizade. Eu esconderia até o fim da vida, ou melhor, eu esclareceria comigo mesma sobre o que estava acontecendo. Porque hoje eu descobri que a dor aqui dentro não é por causa das suas escolhas. Mas existe por causa das milhas de distancia entre nós. Eu queria poder estar com você, quando qualquer fragmento de dor ameaçasse a te machucar. Mas eu não posso, amigo. Muitas coisas mudaram, e não seria a mesma coisa. E eu também sei que se houver qualquer coisa com você, terá muita gente legal pra te ajudar. Agora você está bem, e eu, sinceramente, espero que continue assim. Eu quero ver você feliz e se cuidando. Por favor, se cuide. Eu te amo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

is always so...

Você acha que está tudo bem. Uma situação-limite – nada de bom está acontecendo, mas nada de ruim, também – vem a vida e dá uma guinada. 360 graus. Não é nada que estivesse totalmente nulo de acontecer, em sua mente. Mas havia – havia – a possibilidade daquilo não ser verdade. Mas é. Agora, tudo o que você não precisava está na sua frente e você não pode fugir. Simplesmente não pode. Hoje, tudo o que eu falei sobre eu ser forte, está virando hipocrisia. E, se eu te disser que eu sou forte, nesse momento de minha vida, eu estarei mentindo. Eu sinto como se tudo tivesse vindo à tona. Tudo o que estava escondido e amontoado no armário caiu, porque a porta foi aberta. E agora não há pra onde correr. Simplesmente não se vê uma salvação para os seus planos. Hoje, primeira semana do ano de 2010 e eu aqui – escrevendo sobre coisas ‘ruins’. Eu sinto tanta falta da garota de olhos encantados, coração na boca e uma doçura – quando ela queria – incomparável. Eu sinto falta da menina sonhadora que devia estar aqui hoje falando sobre um mundo que melhorasse com pó de pirlim-pim-pim; a garota que levava sempre consigo um trecho da Clarisse que dizia que “Ela acreditava em anjos. E porque acreditava, eles existiam”. Talvez os anjos não existam mais...
Ou talvez, o encanto só esteja escondidinho, bem lá no fundo da alma. Barrado pelas guinadas que a vida inventa de dar sempre que ela acha que pode ver seu mundo brilhante reluzir de novo. Talvez essa menina boba e sorridente ainda exista. Eu peço aos anjos dela todos os dias que ela exista. É. Talvez ela, seus anjos, e o pozinho existam mesmo. E só estejam esperando uma oportunidade pra fazer os olhinhos encantados da autora do desabafo brilharem de novo.


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Que tipo de sentimento?

Eu não posso gritar; nem chorar, ou correr. Eu preciso sair daqui. Preciso sair de mim, e do que eu sou agora; de quem eu estou sendo agora. Onde o grito se escondeu? Ele alivia a dor, eu quero aliviar isso de mim; eu preciso me livrar do que estou sentindo e eu não consigo.
E o que eu estou sentindo? Nada? Sentimento indefinido, OU sentimento nenhum. Nada de ódio, mas nem se aproxima do amor...
E o que é, então? Quantas questões, quantas dúvidas; e um nó enorme na garganta, um buraco no peito, um embrulho no estômago. E um olhar perdido. E um vazio. E mais dúvidas. E mais cobranças.. Como eu não pude perceber?
Eu preciso desabafar (o que eu sinto(?)); Mas o que eu sinto? Às vezes, acho que é desprezo, repugnância. Talvez, talvez.
E não pensem que tudo o que tenho passado me deixou mais forte. Ao contrario, eu me sinto horrivelmente frágil, como se uma única palavra pudesse me despedaçar.
E aoooonde está o grito? Sai nó, da minha garganta! Sai! Eu preciso gritar. Liberar tudo isso. Sinta-se livre grito, saia, saia daí!  - não sai, não sai -

Então, agora segure minha mão e me abrace. Silencie sua fala. E me abrace, porque meu grito mudo me sufocou demais. Então, olhe nos meus olhos. E me abrace. Me abrace.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

só tem coragem, quem tem medo.

deixo a vida decidir o que devo fazer.
Porque eu estou bem assim, e eu quero continuar bem assim como eu estou.
O torpor seria bom? O que uma coisa que chega ao fim significa na sua vida? Uma ferida não-curada?
- não curada: cicatrizada.
Cicatrizada? SIM! Cicatriz a d a.
Eu vivo em um mundo real, sim. Mas nem por isso eu vou olhar pela janela e enxergar a poluição, o pó, a poeira.. Não é bem mais fácil olhar pela janela e enxergar o amanhecer, ou o crepúsculo? Então, pra quê eu vou ser tão mediocre e enxergar apenas a fatalidade?
A felicidade está em cada passo certo que você dá à caminho dos seus sonhos. E como seria uma vida SEM sonhos? Isso seria v i d a? Considero uma possibilidade nula de vida uma mente sem sonhos e objetivos.
IDEALIZAR. Essa é a palavra. Cada um com seus ideiais de conquistas, de conceitos de verdade..
ILUSÃO. É totalmente diferente de sonho.
Sabe o que e ilusão? É você ter um conceito formado de algo e você perceber que não é nada daquilo que você achava. Você criou seus sonhos em tudo aquilo e se ILUDIU.
E por isso você vai deixar de sonhar? Jamais!
Agora, cá pra nós, se não existem príncipes ou princesas no mundo, uma coisa e certa: existem sapos!, rs.
Seja feliz, sonhando ou não, idealizando ou não. Sofrendo, se curando; sorrindo, chorando; rale o joelho! lembra de quando éramos crianças e nossas mães diziam: - desce daí! você vai cair.
Nós sempre nos machucavamos e era só piscar o olho , ja estavamos no meio da brincadeira de novo.
Lembre- se de quando se ferir valia a pena..
E de quantas técnicas você aprendeu pra brincar de pega-pega e não cair no parapeito (Nay, essa regra não vela pra você, você não teve infância, ;D)
E de quantas gargalhadas você soltou lembrando da sua queda..
Depois que a dor passa, fica a lição.


O contrário do amor é a indiferença \2 .

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"Ela também teve seu coração machucado. Dilacerado, imagino. Normal. Desse mal, meu bem, ninguém escapa. Mas o bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios. Sim, amei sem limites. Dei meu coração de bandeja. Mas tudo está bem agora, eu digo: agora. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri, ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama!"
ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤㅤFernanda Mello